Diretor do BC faz proposta para reduzir risco no crédito imobiliário corrigido pela inflação
A criação de um componente adicional de amortização em financiamentos imobiliários indexados à inflação pode reduzir a volatilidade das parcelas e diminuir o total de juros pagos, segundo nota técnica do diretor de Regulação do Banco Central (BC), Gilneu Vivan.
“Com a inclusão do componente, há um aumento no valor nominal da prestação inicial, mas, em contrapartida, ocorre redução da volatilidade das parcelas seguintes”, afirma o documento.
As simulações mostram que os juros totais pagos pelos mutuários podem cair até 34,6% no sistema Price ou até 24% no Sistema de Amortização Constante (SAC), considerando um contrato de 30 anos, juros reais de 4% ao ano e inflação estável em 4% ao ano.
O modelo analisado é semelhante ao do novo crédito imobiliário lançado pelo governo, que prevê a criação de um componente adicional de amortização para minimizar variações nominais das prestações. O teto desse adicional será a média do índice de preços dos 20 anos anteriores à contratação. O Banco Central divulgará mensalmente o valor máximo com base no IPCA.
Um dos exercícios indica que a prestação inicial poderia ser 53% maior no modelo proposto em comparação ao atual, devido ao aumento da amortização. Contudo, a diferença se reduz ao longo do tempo, já que, no modelo tradicional, a inflação é incorporada ao valor da prestação.
O estudo também aponta que a discrepância pode diminuir ainda mais se a inclusão do componente resultar em juros contratuais menores. “Se a taxa cair de 4% a.a. para 3% a.a., a diferença na primeira prestação se reduz de 53% para 39%”, destaca a nota.
As simulações ainda mostram que o novo método mantém a estabilidade das parcelas mesmo em cenários de inflação inesperada. No sistema Price, por exemplo, se a inflação média fosse de 2% a.a., a última prestação cairia 45% em relação à primeira no modelo proposto, enquanto no método atual aumentaria 83%. Já com inflação de 7% a.a., a prestação subiria 139% no modelo sugerido, contra 688% no sistema tradicional.
No SAC, mesmo com inflação entre 2% e 7% a.a., as parcelas finais se manteriam abaixo da inicial em todos os cenários. No modelo atual, porém, com inflação de 5% ou 7%, a última prestação seria maior, chegando a crescer 227% no pior caso.
Segundo Vivan, no sistema atual, os contratos corrigidos pela inflação “geram insegurança nos mutuários, uma vez que a renda não aumenta necessariamente na mesma magnitude e periodicidade do crescimento nominal das prestações”. Ele acrescenta que a dinâmica “compromete a renda disponível e aumenta o risco de inadimplência”, especialmente para famílias de baixa renda, com menor capacidade de poupança.
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Informações retiradas de InfoMoney
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